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“Zona de Interesse” traz ao público a banalização nazista em relação ao Holocausto | Crítica 

Carlos Cavalcante
por Carlos Cavalcanteatualizado
“Zona de Interesse” traz ao público a banalização nazista em relação ao Holocausto | Crítica 

Inúmeros filmes retratando a segunda guerra mundial já chegaram às salas de cinema e todos com aspectos semelhantes em sua concepção: cenas de bombardeios, soldados atirando em inimigos nazistas, e etc. É uma fórmula que pode não funcionar para algumas pessoas, mas o que acontece quando alguém pensa em inovar os longas com essa temática? Bem, temos uma produção com uma abordagem totalmente inesperada, como é “Zona de Interesse”, dirigido por Jonathan Glazer e adaptação do livro homônimo de Martin Amis. A distribuição no Brasil é feita pela Diamond Films.

Assista ao trailer:

ZONA DE INTERESSE | Teaser Trailer Oficial

ZONA DE INTERESSE | Teaser Trailer Oficial

porDiamond Films Brasil
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“Zona de Interesse”, indicado a cinco categorias no Oscar, se apresenta para o público de uma maneira não convencional: com uma tela vermelha e uma trilha sonora que causa ao espectador certa estranheza. Após quase um minuto sem exibir nenhuma imagem, a música se encerra e ao mesmo tempo nos é mostrado uma família se banhando em um rio. Ali estão Rudolf (Christian Friedel) e Hedwig Höss (Sandra Hüller), junto com seus filhos aproveitando um momento de lazer. Aos desavisados, é capaz que algum espectador nutra certo sentimento de empatia com aquela família nessa primeira cena, mas os próximos minutos do longa mostram quem são essas pessoas e a sua posição naquele lugar. Glazer não demora ao revelar que os Höss são uma família nazista e que Rudolf não é ninguém menos que o comandante de Auschwitz, o campo de concentração com maior números de judeus assassinados, cerca de um milhão de pessoas.

Durante um pouco mais de uma hora e meia de filme, o público é convidado a acompanhar o dia a dia daquela família perfeita, que vive numa grande casa, com um belo jardim e uma piscina convidativa. Um detalhe não mencionado anteriormente, é que o mesmo núcleo familiar que tem o pai como comandante de Auschwitz, também mora ao lado do terrível campo de concentração. Um muro cinza é o que divide o lar daquelas pessoas e um dos lugares mais inóspitos da terra, e ali ocorrem as situações mais cotidianas, como almoços, jantares e comemorações de aniversário. 

Em nenhum momento do filme é mostrado alguma cena de violência física, com pessoas sendo mortas ou sofrendo ferimentos, como é comum em filmes ambientados na segunda guerra mundial. Isto não significa que essas crueldades não estão lá. Como dito anteriormente, não é mostrado, mas sim, ouvido. Ao longo do dia na casa dos Höss, é possível ouvir tiros e gritos vindo do outro lado do muro, o que é ignorado por aquela família, pois estão muito ocupados ao cuidar do jardim ou realizar as tarefas da casa. Em momentos assim, onde a violência e o mal são totalmente banalizados, a trilha sonora de Mica Levi se apresenta, trazendo ao público uma emoção ruim, angustiante, fazendo todos sentirem um terror fluindo por todo o corpo.

Falando em banalizar a violência e o mal, uma personagem que faz isso de maneira natural é Hedwig, a matriarca da família, que durante todo filme, se mostra totalmente indiferente por todos os gritos e tiros ouvidos na “vizinhança”. Sandra Hüller faz um trabalho esplêndido ao dar vida a nazista que, poderia realizar inúmeras crueldades, caso estivesse num cargo de poder naquele regime totalitário. Em certo momento do filme, quando surge a necessidade da família se mudar, possibilitando a perda da bela casa construída, a personagem não mede esforços para convencer ao marido que a residência ao lado de Auschwitz é o melhor lugar que eles poderiam morar. Se os espectadores em suas poltronas já olhavam para ela com escárnio, o sentimento é elevado ao nível máximo com o passar do filme, onde Hedwig mostra suas tendências sádicas ao maltratar seus funcionários, e até ameaçar uma morte, dizendo que poderia pedir para o marido queima-lá e espalhar as cinzas no jardim.

Ao terminar “Zona de Interesse”, é capaz que um misto de emoções invadam os espectadores: revolta, confusão, tristeza, desgosto. São inúmeras possibilidades, mas é provável que quase todo mundo saia reflexivo sobre o que acabou de assistir. Jonathan Glazer foi certeiro ao trazer um cotidiano nauseante, mas possivelmente comum das famílias nazistas durante a segunda guerra mundial.

Sua forma de abordar o conflito, combinado com uma trilha sonora estarrecedora, traz uma perspectiva nova sobre o período, e ao mesmo tempo desperta a indignação do público ao presenciar tamanha banalização da maldade humana. “Zona de Interesse” estreia em cinemas selecionados no dia 08 de fevereiro, e no Brasil dia 15 de fevereiro.

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